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Hemodialise
A insuficiência renal é uma causa líder de mortalidade quer em cães quer em gatos, tornando-se, desta forma, fundamental acompanhar o desenvolvimento de novos métodos de tratamento, capazes de preservar o bem-estar animal e proporcionar uma maior esperança média de vida, com qualidade e conforto.
 
 
Recentemente, em Portugal, ficou disponível o método terapêutico extracorporal de Hemodiálise em Medicina Veterinária, como última inovação no tratamento de suporte da insuficiência renal. O primeiro centro de hemodiálise veterinária foi criado na Universidade da Califórnia, em Davis, em 1990. Desde essa data, a distribuição e disponibilização da técnica, tem sido restrita a poucos locais a nível internacional, tendo sofrido, só no último ano, significativa divulgação no território nacional.
 
O Hospital Veterinário das Laranjeiras (HVL) vem, desde então, assumir um papel pioneiro e de destaque na disponibilização da técnica à comunidade veterinária e proprietários de pequenos animais com doença renal no nosso País. Neste sentido, foi realizado um trabalho coletivo continuo, que envolveu toda a equipa do HVL e contou com o contributo de médicos veterinários especialistas na área, da Universidade da Califórnia e do Animal Medical Center em Nova Iorque, enfermeiros de medicina humana e médicos nefrologistas. A modalidade terapêutica de hemodiálise é uma técnica complexa que exige instalações apropriadas dotadas de unidade de internamento/cuidados intensivos (UCI), equipamento especializado e um esforço integrado da equipa clínica, de modo a facultar um acompanhamento contínuo do doente e um constante aperfeiçoamento da técnica, contribuindo para a melhoria da segurança e eficácia da mesma e bem-estar do doente.

 
O que é a hemodiálise?
 
A hemodiálise define-se como um procedimento terapêutico, que se baseia na circulação sanguínea extracorporal do doente, permitindo a filtração do sangue através de um “rim artificial”, o dialisador, com finalidade de remover toxinas urémicas acumuladas, estabelecer um equilíbrio ácido-base, electrolítico e hídrico adequados, bem como aumentar a esperança média de vida dos pacientes, que apresentam sindrome urémico grave, fornecendo temporariamente uma ponte metabólica e abrindo uma janela para a oportunidade de reparação renal e recuperação do estado higido do doente.
 
 
Em que consiste?
 
A diálise é o processo físico que descreve a passagem de substâncias dissolvidas num líquido de alta concentração para outro líquido de menor concentração através de uma membrana semipermeável. Na hemodiálise este princípio aplica-se à “filtração” do sangue onde as substâncias tóxicas estão presentes.
Durante a hemodiálise (sigla HD) o sangue do doente renal é retirado por um cateter inserido numa veia grande (geralmente a v. jugular), circulando fora do corpo repetidamente através de um filtro ou rim artificial que é constituído por centenas de canais onde circula o sangue. Estes canais estão embebidos num líquido, a solução dializante, que também circula dentro do filtro. O sangue liberta as substâncias tóxicas para o líquido exterior mas mantém as células do sangue intactas dentro dos canais, à semelhança do que acontece com uma saqueta de chá que permite a difusão para fora da saqueta mas retém as partículas sólidas das folhas do chá.
Para levar a cabo uma sessão de hemodiálise é necessário colocar, com uma pequena cirurgia, um acesso vascular (cateter) através de uma veia grande – geralmente a veia jugular do pescoço. Este cateter é geralmente muito bem tolerado pelo animal. Os doentes têm ainda geralmente muito pouco apetite e necessitam de fazer medicação diária pelo que, de forma a manter a hidratação e um estado nutricional optimizado, é frequente colocar-se, ao mesmo tempo que se coloca o catéter venoso, um tubo de alimentação no esófago (pescoço) do animal. Desta forma, o doente pode ser alimentado até melhorar a seu estado geral, prevenindo-se a subnutrição.
É necessário proceder à manutenção periódica do cateter vascular e do tubo de alimentação. Esta manutenção é fácil e pode ter que ser realizada numa base diária.

 
O meu animal pode fazer diálise? 
 
Nos animais saudáveis os produtos tóxicos resultantes do funcionamento do organismo são eliminados do sangue pelos rins. Os rins têm ainda uma função importante na regulação da água e dos electrólitos permitindo diluir os tóxicos e eliminar o excesso de água ou, pelo contrário, poupar água, produzindo urina concentrada. Os animais com doenças renais não conseguem produzir urina em quantidade ou suficientemente concentrada para eliminar eficazmente os produtos tóxicos e estes acumulam-se no sangue, originado a síndrome urémica (aumento da ureia no sangue) e azotémia. Estes animais sofrem de falta de apetite, falta de energia, náusea, vómitos, diarreia e podem produzir urina diluída em pequena ou grande quantidade.
 
Em medicina veterinária, a hemodiálise beneficia três amplas categorias de doentes: (1) animais que apresentem uma urémia grave e desequilíbrios metabólicos a ela associados, (2) animais com sobrecarga de volume hídrico e (3) animais com quadro de intoxicação aguda. Dentro destas três categorias, a maioria dos animais que se apresenta para um tratamento hemodialítico, são doentes com insuficiência renal aguda, não responsiva a tratamento conservador. Em animais com insuficiência renal crónica avançada, a hemodiálise tem como finalidade atenuar a progressão da doença, principalmente durante episódios de agudização do quadro clínico, possibilitando uma melhor qualidade de vida para o doente, quando o tratamento conservador se torna inadequado por si só.
 

Quem toma a decisão de iniciar o tratamento dialítico?  
 
Quem decide é o seu veterinário assistente, juntamente com a nossa equipa! A selecção prévia dos doentes, dependerá da discussão do caso específico, após terem sido esgotadas as tentativas de tratamento convencional.
A discussão e esclarecimento da técnica é realizada na consulta inicial com os proprietários, assim como o protocolo de manutenção do catéter intravenoso e procedimentos sobre eventuais complicações decorrentes do entupimento do cateter. Uma referência precoce do caso pode ajudar a preparar as condições para um melhor prognóstico.

A hemodiálise veterinária é possível de realizar de forma prática e segura se o doente:
 
  • tiver > 2,5 Kg de peso vivo
  • tiver um temperamento razoável a bom
  • tiver pressões arteriais estáveis
  • não tiver anemia grave
  • tiver veias adequadas para colocar cateteres de alto débito
 

Quantas sessões de hemodiálise terá o meu animal de fazer?
 
Como dito anteriormente, a insuficiância renal aguda é o alvo preferencial da técnica, sendo mantida a função renal durante 1 a 3 semanas (de 2, 3 a 9 tratamentos). Em caso de intoxicação por vários fármacos ou venenos é possível a sua extracção total por diálise se esta for instituída nas primeiras horas após a exposição ao tóxico ou fármaco.Os fármacos mais ligados às proteínas plasmáticas poderão exigir mais sessões de diálise e acção combinada com antídotos e medidas de suporte hematológicas e da função hepática.
 
A hemodiálise substitui a função renal e pode ser usada de forma crónica, à semelhança dos doentes renais humanos, mas por razões económicas raramente é mantida desta maneira por períodos longos de tempo. No entanto, pode ser usada ocasionalmente para atenuar crises urémicas, que ocorrem quando existe descompensação da doença renal crónica, provendo um alívio dos sinais clínicos e bem-estar do doente.
 

Conclusões 
 
A hemodiálise provou ser de grande utilidade, constituindo uma terapêutica possível de ser usada de forma economicamente sustentável. As técnicas dialíticas representam uma janela de oportunidade para a recuperação de um animal, tendo como principal objectivo melhorar o estado clínico do doente e tentando “ganhar tempo para obter função”. De realçar que até ao momento as esperanças de melhoria, e muitas vezes de sobrevivência, eram unicamente depositadas numa terapia conservadora com resultados muitas vezes frustrantes e com utilidade muito limitada no tempo.
Pelos resultados obtidos, na nossa prática inicial, podemos concluir que é inegável o benefício que esta importa para o sector veterinário, e indiscutível a sua relevância para a vida dos nossos doentes. É nossa obrigação e dever, como médicos veterinários, continuar a investigar, a desenvolver e a investir na sua saúde, bem- estar, conforto, segurança, qualidade de vida e acima de tudo em esperança de fazer melhor, ampliando o âmbito da sua actuação e tornando a técnica cada vez mais acessível.
 
Para discutir o caso de doença renal ou intoxicação antes de referir, queira por favor contactar-nos. Desta forma poderá verificar quais os exames necessários na admissão e quais os melhores candidatos para uma terapêutica de sucesso!
 
 
Agradecimento
 
A Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade da Califórnia foi a primeira instituição que a nível mundial iniciou a hemodiálise veterinária de uma forma sistemática, mantendo hoje duas das 5 unidades existentes nos EUA. Empenhados em divulgar os seus conhecimentos em prol da ciência e do bem estar animal, estes pioneiros fizeram a formação directa ou indirecta de praticamente todas as unidades de hemodiálise veterinária do resto do mundo. Podemos dizer que contamos com a colaboração da comunidade de clínicos e enfermeiros veterinários especialistas em hemodiálise como consultores do nosso projecto, deixando aqui expressa a nossa homenagem e agradecimento pelo apoio concedido pelo dr.Larry Cowgill (UC, San Diego) e Dra Cathy Langston (AMC, New York) entre outros.
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