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DOENÇAS PARASITÁRIAS
Parasitas internos
Os parasitas gastrointestinais são parasitas que vivem no estômago e/ou intestino delgado e grosso. São vários os parasitas que podem afectar o cão e o gato, desde lombrigas e ténias, visíveis macroscopicamente, ou coccídias e Giardia visíveis apenas ao microscópio.
A grande maioria dos parasitas que afectam os cães e os gatos podem ser transmitidos ao Homem (Zoonoses) por contacto com os ovos presentes nas fezes ou locais contaminados, como por exemplo um jardim, parque infantil ou mesmo o contacto com o pêlo do animal. As faixas etárias mais afectadas são as crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas.
Alguns parasitas podem ser transmitidos aos cães e gatos durante a gestação (no útero materno) ou durante a lactação, podendo ter graves consequências para sua saúde. Os sinais clínicos mais comuns de parasitismo nos cachorros e gatinhos são prostração, vómito, diarreia, aumento do volume abdominal e crescimento lento.
Os cães e gatos adultos podem também ser afectados, embora a infecção aconteça por contacto com fezes contaminadas, por ingestão de carne crua e vísceras (porco, ovelha, vaca e coelho), por ingestão de roedores (ratos) e aves ou por contacto com locais contaminados (jardins, ruas, etc).
Embora por vezes o parasitismo nos adultos não esteja associado a sinais clínicos, quando presentes, os mais comuns são pelagem baça, perda de peso, vómito e diarreia.
Recomendações:
• Desparasitação interna e externa correcta e regular do seu animal
• Desparasitação simultânea de todos os animais ou quando é introduzido um novo animal.
• Não alimentar os animais com carne crua ou vísceras
• Evitar a predação de aves ou roedores
• Lavar bem os alimentos
• Lavar bem as mãos depois de contactar com o animal
• Recolher os dejectos dos animais da via pública
• Limpar regularmente a liteira
• Evitar o contacto directo das crianças com a areia e a relva dos jardins e parques infantis
Plano de desparasitação interna do Hospital Veterinário das Laranjeiras
Cães
• Desde o nascimento até aos 3 meses de idade: 15 em 15 dias
• Desde os 3 meses de idade até aos 6 meses: 1 vez por mês
• A partir dos 6 meses de idade: a cada 4 meses
• Na 1ª metade da gestação, no fim da gestação e em simultâneo com a 1ª desparasitação da ninhada
Gatos
• Desde o nascimento até aos 3 meses de idade: 15 em 15 dias
• Desde os 3 meses de idade até aos 6 meses: 1 vez por mês
• A partir dos 6 meses de idade: a cada 6 meses (se exclusivamente indoor) a cada 3 meses (se tem acesso ao exterior)
• Na 1ª metade da gestação, no fim da gestação e em simultâneo com a 1ª desparasitação da ninhada
Parasitas externos
Pulgas
As pulgas são pequenos parasitas que afectam os cães, gatos e o Homem. As pulgas alimentam-se do sangue dos animais através da mordedura.
As pulgas são parasitas muito resistentes e podem resistir no ambiente durante longos períodos de tempo em condições adversas.
O facto de o animal não ter acesso ao exterior não invalida a infestação por pulgas, uma vez que o Homem pode introduzir pulgas em casa, por frequentar jardins ou outros locais. Dentro de casa, as condições ambientais para o desenvolvimento das pulgas é favorável podendo estas multiplicarem-se e infestarem o seu animal, o que torna o seu controlo mais difícil.
A pulga adulta é o estadio mais fácil de identificar no seu animal mas representam apenas 5% da infestação. Os restantes 95% incluem ovos, larvas e pupas que não são visíveis facilmente e que por isso podem passar despercebidas.
Os sinais clínicos mais comuns são prurido, inflamação da pele, dermatite, alopécia (perda de pêlo), mordedura dos membros ou outras regiões do corpo.
Para além da acção expoliadora, provocam desconforto, prurido (comichão), alergia (alergia à picada da pulga) e podem também transmitir ténias (Dipylidum caninum) se o animal ingerir a pulga ou bactérias (Bartonella) que podem provocar anemia (febre da pulga).
Os casos de alergia à picada da pulga em cães e gatos são bastante comuns não sendo necessariamente significado de uma infestação massiva.
A infecção por Bartonella, vulgarmente designada de febre da pulga, é comum em gatos e pode dar origem a perda de peso e apetite, prostração, fraqueza, lesões oculares, febre, anemia imunomediada, entre outros. É uma doença grave que pode pôr em perigo a vida do animal se não for controlada e tratada atempadamente.
Por estas razões recomenda-se o controlo mensal destes parasitas.
Carraças
As carraças são parasitas maiores que as pulgas e podem afectar os cães, gatos e o Homem. Também se alimentam do sangue dos animais. O parasitismo por carraças acontece por contacto com outro animal infestado ou por frequentar um local infestado, geralmente jardins, passeios, etc.
Para além da acção expoliadora, provocam desconforto, prurido (comichão) mas essencialmente são transmissoras de bactérias e protozoários que provocam anemia grave (febre da carraça). Embora o Homem não possa ser infectado directamente por contacto com o cão/gato, as carraças que o parasitam podem transmitir-lhe estas doenças.
A infecção por estas bactérias/protozoários (Anaplasma, Ricketsia Babesia, Borrelia, entre outras), vulgarmente designada de febre da carraça ou piroplasmose, é comum em cães e pode dar origem a perda de peso e apetite, prostração, fraqueza, diarreia, vómito, febre, anemia imunomediada, entre outros. É uma doença grave que pode pôr em perigo a vida do animal se não for controlada e tratada atempadamente. Uma vez infectado o animal será sempre portador da doença. O tratamento permite a cura clínica mas não elimina totalmente o parasita podendo ocorrer recidivas.
O facto de o animal não ter acesso ao exterior não invalida a infestação por carraças, uma vez que o Homem pode introduzir estadios larvares das carraças em casa, por frequentar jardins ou outros locais.
Por estas razões recomenda-se o controlo mensal destes parasitas. Pode também optar pela vacinação (Babesia) anual. A vacinação não impede a infecção mas confere protecção e pode ser aplicada a partir dos 6 meses de idade.
Ácaros
Os ácaros são parasitas muito pequenos e podem afectar os cães, gatos, o Homem, entre outras espécies. A infestação por eles causada designa-se de sarna e é altamente contagiosa.
Algumas espécies de ácaros, como é o caso do Demodex, fazem parte da fauna fisiológica da pele dos cães, outros como o Sarcoptes, Notoedres e Otodectes são transmitidos por contacto com outro animal infestado ou por contacto indirecto.
Os sinais clínicos mais comuns são prurido (comichão), inflamação da pele, dermatite, alopécia (perda de pêlo), espessamento e descamação da pele. A localização das lesões varia conforme o ácaro envolvido.
A sarna demodécica ocorre geralmente em cães jovens secundariamente a outra doença.
De todas as sarnas, a sarna sarcóptica é a mais grave, pois afecta gravemente o Homem, provocando muito prurido (comichão), desconforto e lesões de pele. No Homem, esta sarna designa-se escabiose.
A sarna notoédrica caracteriza-se por lesões na região da cabeça e ouvidos.
A sarna otodécica ocorre geralmente em cães e gatos jovens e localiza-se nos pavilhões auriculares.
A prevenção destas doenças faz-se proporcionando uma correcta higiene do animal e evitando o contacto com animais infectados.
Plano de desparasitação externa do Hospital Veterinário das Laranjeiras Recomenda-se o controlo mensal dos parasitas externos com a aplicação de um anti-parasitário em spot on (pipeta). Por vezes, em ambientes de maior carga parasitária ou por maior sensibilidade do animal a estes, é necessário a aplicação do spot on a cada 3 semanas.
Atenção: Os desparasitantes externos em pipeta, spot on ou coleira destinados a cães nunca devem ser aplicados em gatos, pois são tóxicos para esta espécie, podendo provocar a morte do gato.
Mosquitos/Flebótomos
A Leishmaniose é endémica em 88 países, como por exemplo, Portugal, Espanha, Sul de França, Grécia, Itália e Brasil. Está também disseminada pelo continente africano.
O ciclo de vida do parasita envolve um flebótomo (insecto semelhante a um mosquito), vector que transmite a doença e um hospedeiro que geralmente é o cão ou o Homem. Os flebótomos (fêmeas) infectam-se quando se alimentam do sangue de um cão infectado com Leishmania, através de uma picada na pele. Desta forma, quando se alimentam novamente num cão saudável ou no Homem transmitem-lhe a doença e o ciclo perpetua-se.
Até à actualidade, julga-se que o cão não constitui uma fonte de infecção directa para o Homem. Neste, a Leishmaniose afecta principalmente doentes imunocomprometidos (com o sistema imunitário baixo) e crianças.
Os flebótomos alimentam-se essencialmente em dois períodos do dia, ao amanhecer e ao anoitecer. Embora variável, o seu período de vida vai desde a Primavera até ao Outono.
Embora nem todos os cães infectados desenvolvam a doença, a maioria apresenta sinais clínicos. Alguns têm capacidade de combater o parasita e nunca ficam doentes, outros permanecem infectados mas não manifestam a doença.
Os sinais clínicos mais comuns são perda de peso, anorexia, atrofia muscular, diarreia, epistáxis (corrimento de sangue pelas narinas), lesões de pele com descamação (principalmente à volta dos olhos), alopécia (queda do pêlo), aumento do consumo de água e da produção de urina, febre, crescimento exagerado das unhas, aumento dos nódulos linfáticos, dor articular/relutância ao exercício e lesões oculares.
Geralmente o tratamento é prolongado, dispendioso e permite o controlo a doença, embora não seja atingida a cura.
A melhor forma de evitar a doença é prevenir-la com a aplicação de spot-on mensalmente e coleira Scalibor®, bem como evitar a exposição do cão ao amanhecer e ao anoitecer.
Foi lançada recentemente a vacina contra a Leishmaniose, que após 20 anos de investigação veio trazer-nos um nível de protecção elevado, reduzindo em quatro vezes a possibilidade de desenvolver a doença.
Informe-se com o seu Médico Veterinário Assistente e efectue já pré-marcação da consulta.
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